Por um projeto de Nação

Governos estaduais e prefeituras precisam assumir a vanguarda das iniciativas para a retomada da economia brasileira

Onde estão concentradas as principais atividades produtivas e econômicas que mobilizam a população do Brasil? Obviamente nas áreas urbanas dos maiores municípios, dentre os 5.570 que se distribuem pelos 27 Estados da Federação. Por sua vez, os Estados contribuem para o PIB nacional conforme demonstrativo na tabela 1, reproduzindo dados do IBGE. Se restringirmos o foco para os mil maiores municípios, do ponto de vista do PIB, vamos observar como a riqueza brasileira está geograficamente distribuída (tabela 2). E, se atentarmos para a análise das 100 maiores cidades do País, verificaremos como eles se enquadram na distribuição geográfica (tabela 3) e a respectiva participação no PIB nacional.

 
Resumindo: a força econômica do País está centrada naquelas cidades. E são os governadores estaduais e os prefeitos municipais que estão à frente do processo de crescimento das regiões urbanas e metropolitanas. É ali que se encontram instaladas, e em operação, indústrias, estabelecimentos comerciais e instituições financeiras, além de outros serviços, todos responsáveis pela movimentação da economia brasileira.
 
São os governantes dessas duas instâncias administrativas, além de empresários e trabalhadores, que detêm a massa crítica e a capacidade de articulação e de mobilização dos recursos técnicos, econômicos e humanos, destinados a recolocar em funcionamento a economia. Isso acontece independentemente dos desdobramentos e desfecho da crise provocada por denúncias de corrupção, ora objeto de investigações, que parece paralisar o governo federal, na sua nova gestão.
 
O Brasil é maior do que qualquer governo e maior também do que as corporações políticas que procuram defender, antes de tudo, os seus próprios interesses.
 
Por isso, ele precisa encarar o seu futuro, que se constrói continuamente, um dia após o outro, com trabalho produtivo e investimentos, pelas mãos dos trabalhadores e empreendedores e com o apoio das administrações públicas locais. Ideias, slogans e projetos de lei mirabolantes de políticos de plantão pouco contribuem para a evolução da economia real.
 
Convocamos os governadores recém-eleitos, e os prefeitos dos 100 maiores municípios do País, a articular essa mobilização, de modo a ensejar uma nova realidade — mais objetiva e generosa — para o País. O Brasil ainda não tem um projeto de Nação que aponte, com segurança, o caminho a seguir. Contudo, ele pode ser construído ainda nesta década, desde que sejam competentemente aproveitadas as imensas potencialidades disponíveis e resolvidos os velhos problemas no campo da infraestrutura, logística, saneamento, saúde, habitação, educação e segurança, entre outros.
 
Exemplos do que o País pode realizar com a força de suas potencialidades:
 
1. O Brasil dispõe de imensos depósitos minerais, mas agrega pouco valor aos produtos resultantes, vendidos, na sua maior parte, como matéria-prima bruta com pouco beneficiamento.
 
2. O banco genético da Floresta Amazônica demanda investimentos em pesquisa, para seu aproveitamento como fármacos e outros fins. Contudo, jamais recebeu a prioridade merecida como business do futuro; o País mantém esses recursos como reserva ecológica, o que é louvável do ponto de vista ambiental, mas gera pouca receita para a economia. É preciso investimento equilibrado e responsável.

3. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já contribuiu para transformar a agroindústria nas décadas recentes. Mas a logística obsoleta, que pouco mudou ao longo do período, compromete e até anula a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.

 
4. O Brasil já poderia ser o líder mundial em biocombustíveis, caso não tivesse dado prioridade à produção nacional de petróleo; difícil imaginar como o álcool vai poder resgatar sua viabilidade econômica.
 
5. O País perdeu a autossuficiência energética em aproveitamentos hidrelétricos porque não soube administrar os conflitos naturais que ocorrem no campo ambiental e nas comunidades indígenas. Continuamos discutindo se prevalece o interesse atual em termos socioeconômicos, ou se deixamos tudo como está para que as futuras gerações vejam como é que fica.
 
No Canadá, tribos indígenas podem controlar até 30% dos empreendimentos de geração energética implantados em seus territórios, gerando uma receita permanente, além de programas regulares de formação de mão de obra nativa com vistas à geração futura de renda.
 
6. A engenharia brasileira já construiu obras marcantes aqui e no exterior, mas o governo nunca apostou nela como força indutora de exportações de bens materiais, e não adotou uma política oficial de incentivo à exportação de serviços de engenharia, inclusive financiamento a fundo perdido de estudos básicos, a exemplo do que fazem os países europeus, os Estados Unidos e, mais recentemente, a China.
 
7. A indústria turística é uma atividade madura e estruturada em países, como França, Espanha e Estados Unidos. É uma forte geradora de empregos e receita. Aqui, ainda vendemos apenas as praias, água de coco, acarajé. Esperamos que o Rio de Janeiro nos proporcione o primeiro caso de sucesso na sua transformação em destino turística global, somando os atrativos naturais a eventos culturais e esportivos, com a experiência da Olimpíada de 2016.
 
8. A Embraer é o exemplo maior de uma indústria global brasileira. O seu sucesso deveria inspirar novos polos aeronáuticos a produzir aviões de pequeno porte e planadores. Mas falta articulação à ação governamental.
 
Enfim, nos posicionamos de frente para um projeto de Nação. É preciso perseverar com firmeza, paixão e coragem para realizá-lo. É possível, é necessário.
 

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100 MAIORES MUNICÍPIOS DO PAÍS PELO PIB

Posição ocupada

Municípios

PIB a preços correntes
em R$ mil

São Paulo/SP

499.375.401

Rio de Janeiro/RJ

220.924.561

Brasília/DF

171.235.534

Curitiba/PR

59.151.308

Belo Horizonte/MG

58.374.103

Manaus/AM

49.824.579

Porto Alegre/RS

48.002.209

Campos dos Goytacazes/RJ

45.129.215

Guarulhos/SP

44.670.723

10º

Fortaleza/CE

43.402.190

11º

Campinas/SP

42.766.024

12º

Salvador/BA

39.866.168

13º

Osasco/SP

39.198.919

14º

Santos/SP

37.722.531

15º

Recife/PE

36.821.898

16º

São Bernardo do Campo/SP

34.185.281

17º

Barueri/SP

33.075.587

18º

Goiânia/GO

30.131.330

19º

Vitória/ES

28.655.025

20º

Betim/MG

28.100.845

21º

São José dos Campos/SP

28.089.096

22º

Duque de Caxias/RJ

27.121.886

23º

São Luís/MA

24.601.718

24º

Jundiaí/SP

23.712.625

25º

Uberlândia/MG

21.420.638

26º

Contagem/MG

20.647.181

27º

Belém/PA

20.557.946

28º

Ribeirão Preto/SP

20.300.802

29º

Itajaí/SC

19.754.199

30º

Sorocaba/SP

19.019.098

31º

Joinville/SC

18.299.283

32º

Santo André/SP

18.085.141

33º

Campo Grande/MS

16.970.656

34º

Parauapebas/PA

16.733.726

35º

Caxias do Sul/RS

16.651.357

36º

São José dos Pinhais/PR

15.419.051

37º

Niterói/RJ

15.112.496

38º

Canoas/RS

14.856.173

39º

Serra/ES

14.850.851

40º

Macaé/RJ

14.459.881

41º

Maceió/AL

13.694.808

42º

Cuiabá/MT

13.298.345

43º

Natal/RN

13.291.177

44º

Araucária/PR

13.282.426

45º

Londrina/PR

12.826.470

46º

Camaçari/BA

12.669.924

47º

São Caetano do Sul/SP

12.620.623

48º

Florianópolis/SC

12.614.711

49º

Cabo Frio/RJ

12.480.926

50º

Teresina/PI

12.306.772

51º

São Gonçalo/RJ

11.976.716

52º

Piracicaba/SP

11.887.388

53º

Anápolis/GO

11.690.888

54º

Diadema/SP

11.645.673

55º

Ipojuca/PE

11.595.851

56º

Rio das Ostras/RJ

11.327.340

57º

João Pessoa/PB

11.225.777

58º

Louveira/SP

11.173.992

59º

Angra dos Reis/RJ

10.973.424

60º

Blumenau/SC

10.927.079

61º

São José do Rio Preto/SP

10.738.220

62º

Nova Iguaçu/RJ

10.665.648

63º

Maringá/PR

10.246.122

64º

Juiz de Fora/MG

10.078.403

65º

Paranaguá/PR

10.007.402

66º

Aracaju/SE

9.813.852

67º

Porto Velho/RO

9.775.427

68º

Paulínia/SP

9.749.771

69º

Mogi das Cruzes/SP

9.737.244

70º

Jaboatão dos Guararapes/PE

9.480.125

71º

Taubaté/SP

9.429.900

72º

Uberaba/MG

9.368.416

73º

Volta Redonda/RJ

9.187.069

74º

Petrópolis/RJ

9.133.358

75º

Rio Grande/RS

8.965.447

76º

Feira de Santana/BA

8.635.051

77º

Bauru/SP

8.430.517

78º

Mauá/SP

7.863.726

79º

Sumaré/SP

7.812.309

80º

Foz do Iguaçu/PR

7.771.320

81º

Limeira/SP

7.718.277

82º

Belford Roxo/RJ

7.542.639

83º

Vila Velha/ES

7.535.326

84º

Cotia/SP

7.463.856

85º

Aparecida de Goiânia/GO

7.437.833

86º

Americana/SP

7.131.532

87º

Ipatinga/MG

7.127.482

88º

Gravataí/RS

6.936.437

89º

Ponta Grossa/PR

6.930.451

90º

Cariacica/ES

6.771.111

91º

Hortolândia/SP

6.761.007

92º

Itapevi/SP

6.712.576

93º

Jaraguá do Sul/SC

6.686.194

94º

Vinhedo/SP

6.561.501

95º

Macapá/AP

6.453.597

96º

Cubatão/SP

6.348.145

97º

Cascavel/PR

6.282.718

98º

Passo Fundo/RS

6.275.589

99º

Rio Verde/GO

6.264.991

100º

Matão/SP

6.194.929

Fonte: IBGE (2012), em parceria com os órgãos estaduais de estatística, secretarias estaduais de governo e superintendência da Zona Franca de Manaus - SUFRAMA.

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